Porquê dividir o País?

 

A Constituição da República, a nossa Lei Mãe, estabelece num dos seus artigos que Moçambique é um país uno e indivisível. Portanto, qualquer manifestação de divisão do país deve ser contestada por todos os segmentos da sociedade. No quadro do exercício do direito de opinião, que a Constituição consagra, quero juntar-me ao grupo de vozes que contestam um modelo que nos compartimenta em zonas.

Este modelo, meus caros, fere por completo o princípio de Unidade Nacional plasmado na nossa lei mãe. Este modelo, vem provar que o nosso futebol está à deriva e mergulhado numa crise de dirigismo. O futuro do futebol moçambicano a todos os níveis é sombrio com o actual quadro e não se vislumbra qualquer espécie de luz no fundo do túnel.

Esta situação deve-se sem dúvida a falta de dirigentes sérios e comprometidos em desenvolver a modalidade. Sim, não são sérios, porque se o fossem, estaríamos em crescimento, nem que fosse um crescimento lento… mas, o que se vê, é um decrescer ano após ano, e quando pensas que já se bateu fundo, no ano seguinte, descobre-se que há fundos mais fundos do que o fundo.

O nosso Moçambola já era um produto difícil de vender. Ou seja, sempre foi uma missão espinhosa para os clubes angariarem patrocinadores, tendo o Moçambola como a mais-valia ou factor de compensação. Pior um Moçambola esquartejado, que vai continuar a servir as empresas públicas, nomeadamente CFM, EDM, ENH, HCB, etc… (este é um dinheiro dos nossos imposto), que em nenhum momento foi-nos consultado se é assim que teria de ser gasto.

Não tenho nada contra, aliás, deve ser obrigação das Empresas Públicas patrocinarem o desporto no País, mas não sendo elas desenvolverem as modalidades, pois cada empresa tem obrigações no sector que representa. Porque uma ENH deve fazer futebol quando não consegue colocar gás canalizado aos moçambicanos? Porque um CFM deve fazer futebol quando o foco deveria ser garantir Portos e Caminhos de Ferros, com comboios e barcos, que sirvam aos moçambicanos do Rovuma ao Maputo? Porque é que a HCB e EDM devem fazer futebol quando o País tem sérios problemas de energia e com aumentos constantes? Quem mais falta? O FIPAG e/ou Autoridade Tributária também decidirem colocar uma equipa de futebol no Moçambola? Será que essas empresas beneficiam mesmo ao futebol, ou é um motivo para desvio de fundos dos nossos impostos?

Não constitui novidade para ninguém que algumas empresas meteram-se no futebol da alta competição para, através dos clubes, saquear dinheiro para fins individuais, facto que as arrasta para banca-rota, tal como faliram a MCel, e a LAM que também drenavam valores absurdos aos clubes. A ENH, por não ter fundos, tem de fazer um empréstimo de 2 biliões de USD para estar presente nos projectos petrolíferos e de gás no País, mas contudo, gastam valores do tamanho do Universo para um clube que nada faz de visível?

O nosso Moçambola continuará em decadência enquanto estiver nas mãos de dirigentes sem capacidade de tornar a prova auto-sustentável e vai continuar, infelizmente, um produto podre e desinteressante enquanto existir nos clubes, principalmente, pessoas que colocam em primeiro plano a satisfação dos seus interesses.

É uma profunda aberração de bradar os céus, assassinar um dos principais meios de ligação de moçambicanos, do Rovuma ao Maputo.

Moçambola do Sul e Moçambola do Centro-Norte, o que é isso? O pior é que aqui, mais uma vez priorizam o Sul em relação ao Centro e Norte; porque na fase seguinte, o Sul terá 4 clubes e o Centro-Norte duas de cada totalizando 4, porquê? Já imaginaram se no Moçambola do Centro-Norte os vencedores forem só clubes do Centro? Ou só do Norte? Corremos o risco de ter no ano seguinte um Campeonato Nacional com clube de duas regiões… isto é progredir?

O mesmo gestor que hoje dividiu esta prova e dividiu Moçambique (por alegada falta de fundos), é o mesmo que há 2 anos aumentou o número de clubes (para vencer as eleições) na Liga de Clubes (LMF). Se isto não é incompetência ao mais alto nível o que seria então? Quantos países no mundo tem um campeonato em que não se sabe como será no ano seguinte? Até nas ilhas existe melhor organização…

Deixem os moçambicanos interagirem desportivamente. Não nos retirem isto por favor.

Os sinais do deserto por qual atravessa o Moçambola, foram dados até pelo Presidente da República, o visionário Filipe Jacinto Nyusi, mas nada foi feito. Foi pela mão do PR que o Moçambola 2018 chegou ao fim no sistema de todos contra todos, pois os gestores incompetentes já haviam paralisado a prova… afinal porque não se demitem? O mel deve ser muito doce…

Os que tinham sido dados o TPC, para que assegurassem a viabilidade do Moçambola, cruzaram os braços, aliás, em nome do Moçambola embarcaram em viagens de luxo supostamente a procura de parcerias.

Quais parcerias?

Parcerias para dividir o ópio do povo?

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