Aeroporto de Vilankulo

Tenho acompanhado, com inusitada atenção, o assunto que aborda o encerramento de alguns Aeroportos Internacionais em Moçambique, cuja motivação visa reduzir para três os aeroportos dessa dimensão. Isto é, funcionarmos com os de Maputo, da Beira e de Nacala.

Não creio, que em pleno século XXI, o qual deveria significar o período da nossa ascensão, ainda hajam dirigentes que tenham a coragem de tomar decisões destas natureza. Não está em causa a sustentabilidade dos Aeroportos de Moçambique e das Linhas Aéreas de Moçambique, que é o que me parece e se este for o caso. Porém, antes de encerrar estes aeroportos, deveriam primeiro acabar com os patrocínios absurdos das Empresas Públicas à certos clubes de futebol, patrocínios que já vem desde a Independência e até hoje não se vislumbra o progresso desses clubes, quer no país assim como internacionalmente. Cito o exemplo dos clubes para ilustrar que há, por aí, muito dinheiro das públicas mal investido e sem retorno há pelo menos 40 anos.

Para evitarmos a falência das nossas Empresas Publicas não deveremos forçar certas decisões ou forçar as pessoas a usar as nossas Empresas Públicas.

Depois de conversar com vários agentes turísticos e com turistas que vêm de longe (Europa, Ásia, América), na minha humilde opinião penso que esta decisão irá assassinar o turismo nacional. Digo nacional porquê? Porque pelos dados do Ministério do Turismo, 60% do turismo nacional está na Província de Inhambane e Vilankulo sozinho detém 30% dessa percentagem.

Em qualquer País, existem zonas especiais de desenvolvimento e está claro que Vilankulo é uma delas devido ao rápido crescimento turístico.

A África do Sul tem 8 Aeroportos Internacionais, e todos sabemos que o hub é o OR Tambo em Johannesburg, que recebe a maior parte dos voos e de aviões grandes, mas existem também os aeroportos internacionais de Cape Town e Durban, existem ainda mesmo em Johannesburg um segundo aeroporto internacional, o Lanseria.

Fora estes, temos os Aeroportos internacionais de Mmabatho, Kruger Mpumalanga (Nelspruit), Polokwane e Pilanesberg (Sun City).

Os aeroportos internacionais de Nelspruit e de Sun City estão lá só pelo turismo e nada mais. Durban e Cape Town começaram assim e hoje já fazem voos directos intercontinentais.

Aqui não estamos a dar um tiro no próprio pé mas sim um tiro directo na cabeça. Não faz sentido um passageiro que hoje faz Johannesburg – Vilankulo directo e em 1:30 (hora e trinta minutos) amanhã ter de fazer esse trajecto com paragem em Maputo, sendo obrigado possivelmente a ficar ainda uma noite na capital e perder mais horas na sua curta viajem de férias. Vamos afugentar os poucos que ainda vem ao nosso País para outros locais atractivos.

Tenho um enorme receio que esta decisão destrua completamente o esforço e investimento de anos e anos no turismo nacional e, às vezes, chego a ficar preocupado com a minha percepção do que é a descentralização.

 

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