A nossa biodiversidade é um trunfo importante no nosso turismo
Viajar por Moçambique de carro é uma experiencia inigualável, desde as aldeias que se encontram pelo caminho, diversos animais que se encontram nos nossos parques e reservas, diversos tipos de frutas e bebidas a serem comercializadas. É interessante conhecer nossos parques, coutadas, reservas e fazendas. Fazer uma aventura pelo Monte Binga ou passar uns dias no Parque Nacional da Gorongosa, talvez ir antes dar uma volta ao Lago Niassa, quem sabe apreciar a cidade de Gurué que tem uma paisagem paradisíaca, muitas são as opções para todos os gostos que estão espalhadas do Rovuma ao Maputo.
Há uma relação directa entre o turismo e conservação e isso é descrito também no Plano Estratégico do Turismo, não devendo separar o turismo da conservação da biodiversidade e da cultura. O país tem dado vários passos ligados a Conservação da Biodiversidade e estamos todos de parabéns nesse aspecto.
Trago aqui um ponto que pode provocar algum debate, vejamos:
Para conservar as várias áreas que temos é preciso de fundos que são escassos, precisamos de dinheiro que muitas vezes vem do turismo, seria uma situação de se pensar em explorar algumas áreas para investir na conservação de outras.
Como exemplo temos o Parque Nacional da Gorongosa, que com um projecto de restauração de 20 anos é hoje um dos maiores sucessos em Africa em parceria público-privada que no caso concreto foi feita com a Carr Foundation que conta com um financiamento de 6 milhões de dólares anuais. O sucesso que esta a ter o Parque Nacional da Gorongosa nas comunidades, conservação, ciência e turismo é invejável e deveria multiplicar-se para outros parques e reservas, mas como podemos notar é preciso investir para ter sucesso, para conservar é preciso também ter dinheiro.
Hoje podemos pensar em escolher o que devemos e queremos conservar, focar claramente na exploração de algumas áreas que nos possam garantir fundos para conservar outras, com isso não quero dizer que se deve colocar algumas áreas de conservação em risco em nome do turismo mas é necessário pensar em primeiro lugar o que esta em risco e que riscos devemos correr. Por exemplo por questões ligadas a conservação há zonas que não se podem construir hotéis, nem andar de jetsky ou pescar, em contrapartida há zonas que se pode fazer tudo isso, porque não explorar essas zonas até ao limite com vários nichos como caça, observação de pássaros, mergulho, etc. Que alternativas podemos dar para além da praia? Parques aquáticos? Casinos? Campos de Golf? Como podemos olhar para o nosso mapa e desenhar um plano estratégico do turismo, envolvendo a nossa cultura e biodiversidade?
Um olhar sobre as nossas áreas já nos dava um mapa de exploração interessante, bem como um mapa de conservação mais claro e assente sobre as receitas colhidas dos locais mais explorados.
Foto: Elefante na Reserva do Niassa





