{"id":3232,"date":"2017-01-03T18:25:17","date_gmt":"2017-01-03T16:25:17","guid":{"rendered":"http:\/\/yassinamuji.com\/amujiweb\/?p=3232"},"modified":"2017-01-03T18:25:17","modified_gmt":"2017-01-03T16:25:17","slug":"sempre-tive-grandes-sonhos-e-nao-sou-homem-de-desistir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/yassinamuji.com\/amujiweb\/mocambique\/sempre-tive-grandes-sonhos-e-nao-sou-homem-de-desistir\/","title":{"rendered":"Sempre tive grandes sonhos e n\u00e3o sou Homem de desistir!"},"content":{"rendered":"<p><strong>Yassin Amuji, o primeiro empres\u00e1rio jovem a privatizar um clube desportivo em Mo\u00e7ambique diz ser um homem persistente e de grandes sonhos. Dois anos depois de ter extinguido a equipa principal do Vilankulo FC, afirma que n\u00e3o desistiu do futebol, apenas mudou de filosofia e deixa em aberto o regresso da equipa principal do seu clube \u00e0s competi\u00e7\u00f5es profissionais do pa\u00eds.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Numa conversa anterior disse-nos que \u00e9 um homem persistente, mas h\u00e1 dois anos extinguiu a equipa principal do Vilankulo por descordar do tratamento que se dava ao seu clube no pa\u00eds, sobretudo no Mo\u00e7ambola \u2013 o principal campeonato nacional do futebol em Mo\u00e7ambique.<\/strong><\/p>\n<p>Muita gente pensa que desisti, mas n\u00e3o \u00e9 verdade. Mudar de filosofia n\u00e3o \u00e9 desistir. Quando o clube foi fundado h\u00e1 uma frase que eu disse: <strong>\u2018enquanto correr sangue em minhas veias, o Vilankulo n\u00e3o vai desaparecer\u2019<\/strong>. O clube n\u00e3o desapareceu, estamos a praticar desporto, estamos com 150 crian\u00e7as na forma\u00e7\u00e3o. Fomos campe\u00f5es nacionais de juvenis. Estivemos em duas finais no Nacional de juniores. Estamos focados na forma\u00e7\u00e3o e na educa\u00e7\u00e3o desportiva. O que aconteceu \u00e9 que quando vimos que n\u00e3o havia condi\u00e7\u00f5es para continuarmos no Mo\u00e7ambola, preferimos recuar. Na altura, \u00e9ramos a equipa sacrificada do campeonato. Todas as equipas que participavam no Mo\u00e7ambola tinham direito a passagens a\u00e9reas, mas n\u00f3s pass\u00e1mos quatros anos a viajar de autocarro, isto \u00e9, 2010, 2011, 2012 e 2013. Isto criou um desgaste n\u00e3o s\u00f3 financeiro para a institui\u00e7\u00e3o como tamb\u00e9m um desgaste f\u00edsico nos atletas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2010, gast\u00e1mos 75 mil d\u00f3lares que n\u00e3o estavam previstos s\u00f3 para custear as viagens, acomoda\u00e7\u00e3o da equipa e sua alimenta\u00e7\u00e3o. Lembro-me muito bem que em 2010 quando entr\u00e1mos no Mo\u00e7ambola, perguntaram-me se o Vilankulo estava preparado para este campeonato, e eu respondi que <strong>\u2018 Vilankulo como vila e futebol est\u00e1 pronto para acolher o Mo\u00e7ambola. Resta saber o inverso\u2019.<\/strong> E ao fim de quatro anos, apercebi-me que o Mo\u00e7ambola n\u00e3o estava pronto para receber o Vilankulo. Provavelmente agora j\u00e1 estar\u00e1 pronto porque o ENH est\u00e1 a fazer as desloca\u00e7\u00f5es de avi\u00e3o. Agora, h\u00e1 duas coisas que me passam pela cabe\u00e7a: a primeira \u00e9 que n\u00e3o tivemos um tratamento igual em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras equipas. A segunda \u00e9 que sendo uma equipa da Fun\u00e7\u00e3o P\u00fablica, o ENH teve facilidades. \u00c9 mais f\u00e1cil ter aceita\u00e7\u00e3o quando se \u00e9 um clube da Fun\u00e7\u00e3o P\u00fablica. Ali\u00e1s, grande parte dos clubes que est\u00e3o no Mo\u00e7ambola \u00e9 da Fun\u00e7\u00e3o P\u00fablica. E fica uma terceira pergunta: <strong>\u2018ser\u00e1 que a pol\u00edtica de desporto em Mo\u00e7ambique est\u00e1 a incentivar os privados a investirem ou est\u00e1 a incentivar as empresas p\u00fablicas?\u2019<\/strong> Se o objectivo s\u00e3o as empresas p\u00fablicas estamos no bom caminho. Mas devemos repensar o que queremos do nosso desporto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Primeiro n\u00e3o acho correcto que sejam as empresas p\u00fablicas a ter clubes porque fogem da sua principal actividade. N\u00e3o faz sentido nenhum que os Caminhos de Ferro de Mo\u00e7ambique tenha tantos clubes no pa\u00eds, mas n\u00e3o tenhamos linhas f\u00e9rreas em condi\u00e7\u00f5es. Temos problemas de transporte, n\u00e3o temos sequer um metro em Maputo. Nas Linhas A\u00e9reas de Mo\u00e7ambique temos problemas de falta de cumprimento do hor\u00e1rio dos voos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o seu objectivo ao apostar na forma\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 servir o pa\u00eds. Durante o tempo em que o Vilankulo FC esteve no Mo\u00e7ambola, notei que grande parte dos jogadores tem um d\u00e9fice de educa\u00e7\u00e3o desportiva e escolar. Os jogadores n\u00e3o t\u00eam uma projec\u00e7\u00e3o da careira de forma ascendente, em que se diz que o fulano atingiu o topo. Na Europa, olhamos para o Ronaldo e para o Messi, por exemplo, e notamos claramente que eles a cada ano est\u00e3o a melhorar. E quando \u00e0s vezes pensamos que o jogador j\u00e1 atingiu o topo ele nos surpreende, porque ele mentalizou que deve melhorar sempre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em que \u00e1reas de neg\u00f3cio tem interesse e est\u00e1 a investir?<\/strong><\/p>\n<p>Tenho 250 trabalhadores desde armazenistas, fabricantes de blocos, funcion\u00e1rios da pedreira e constru\u00e7\u00e3o civil. Sempre gostei de experimentar novas \u00e1reas e tentar descobrir novos horizontes. Sempre persistente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Vilankulo \u00e9 por excel\u00eancia uma zona tur\u00edstica. Tem investimentos na \u00e1rea do turismo?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Pela experi\u00eancia que assisti os lodges requerem muita aten\u00e7\u00e3o. Esta \u00e1rea precisa de muita dedica\u00e7\u00e3o. O operador tur\u00edstico deve ser muito dedicado. E n\u00e3o invisto nesta \u00e1rea devido ao tempo. Nunca tive muito tempo para focar-me no turismo. Talvez no futuro tenha um investimento nesta \u00e1rea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Yassin tem o seu pai como um exemplo. O seu progenitor esteve durante 15 anos como presidente do Munic\u00edpio de Vilankulo. Pretende seguir a veia pol\u00edtica do Suleimane Amuji?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Em nenhum momento desejei ser um dirigente pol\u00edtico. Infelizmente tive um pai ausente durante os 15 anos em que ele esteve como presidente. Fic\u00e1vamos menos sentidos porque a sua aus\u00eancia era por um motivo nobre: servir o povo. Mas aprendi muito sobre pol\u00edtica ao longo destes anos, e at\u00e9 talvez a entenda melhor que muitos pol\u00edticos. Na pol\u00edtica passa-se de her\u00f3i a vil\u00e3o da noite para o dia. Podes at\u00e9 fazer um milh\u00e3o de coisas boas, mas uma coisa negativa pode levar ao esquecimento de tudo de positivo que j\u00e1 fizeste.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00c9 casado?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Casei-me em 2004, tinha 21 anos. Tenho tr\u00eas filhos, um rapaz de onze anos, uma menina de nove e um rapaz de seis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Que tipo de educa\u00e7\u00e3o tenta dar aos seus filhos?<\/strong><\/p>\n<p>A melhor poss\u00edvel, a que tive dos meus pais. Sou o que sou hoje gra\u00e7as \u00e0 educa\u00e7\u00e3o que recebi dos meus pais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a sua terra natal?<\/strong><\/p>\n<p>Nasci a 13 de Novembro de 1982, em Chimoio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os seus pais s\u00e3o naturais de Manica?<\/strong><\/p>\n<p>O meu pai e o meu av\u00f4 s\u00e3o naturais de Vilankulo. E \u00e9 mesmo por isso que a minha vida toda \u00e9 l\u00e1. Nasci em Chimoio, Manica, porque naquela altura as condi\u00e7\u00f5es hospitalares n\u00e3o eram muito boas na terra deles. E tamb\u00e9m porque, geralmente, as mulheres quando est\u00e3o para ter beb\u00e9 v\u00e3o para casa das m\u00e3es por causa dos cuidados. Portanto, foi tamb\u00e9m o que aconteceu com a minha m\u00e3e.<\/p>\n<p>Eu nasci em Chimoio, mas toda a minha inf\u00e2ncia, o crescimento todo, foi em Vilankulo. N\u00e3o h\u00e1 motivos para eu me sentir natural de Chimoio. N\u00e3o tenho recorda\u00e7\u00f5es daquela cidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quanto tempo ficou em Chimoio?<\/strong><\/p>\n<p>Devem ter sido 40 dias, porque depois desse tempo, e logo que a minha m\u00e3e esteve em condi\u00e7\u00f5es de viajar, regress\u00e1mos para Vilankulo. Portanto, sinto-me como se fosse natural de l\u00e1. \u00c9 mesmo a minha casa, a minha terra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Que recorda\u00e7\u00f5es guarda da sua inf\u00e2ncia?<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o muitas. N\u00e3o tive uma inf\u00e2ncia luxuosa como muita gente pode pensar por ver o que a minha fam\u00edlia tem hoje.<\/p>\n<p>Brinquei como muitas crian\u00e7as mo\u00e7ambicanas, brinquei \u00e0 neca, com corda, com carrinhos de arame, etc. Hoje, os mi\u00fados tem carrinhos de controlo remoto, e eles controlam estes brinquedos \u00e0 dist\u00e2ncia. N\u00f3s n\u00e3o. T\u00ednhamos, os nossos carros de arame, tinham um volante grande, e us\u00e1vamos cani\u00e7o para empurr\u00e1-los. Esta \u00e9 uma fase que fica marcada. E foi este crescimento simples que fez com que fosse uma pessoa mais humilde. Aprendi a valorizar as coisas.<\/p>\n<p>Depois tive uma bicicleta, mas a minha inf\u00e2ncia foi mesmo normal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nessa altura, quais eram os seus sonhos?<\/strong><\/p>\n<p>Sempre fui uma pessoa que queria fazer mais do que fazia. Desde sempre tive sonhos grandes. Em pequeno queria ter um helic\u00f3ptero. Sempre dizia: tenho de ter um helic\u00f3ptero. \u00c9 uma coisa que sempre gostei. Tinha sempre vontade de experimentar um helic\u00f3ptero. Mais tarde, quando comecei a trabalhar, tracei uma meta<strong>: \u2018at\u00e9 aos 35 anos tenho de ter um helic\u00f3ptero\u2019<\/strong>. Faltam dois anos, quem sabe at\u00e9 l\u00e1 terei.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Acredita que conseguir\u00e1 realizar este sonho? Com o andar dos anos, essa vontade pode ter mudado\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Agora penso em viajar algumas vezes de helic\u00f3ptero. J\u00e1 experimentei, e \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o muito boa. Provavelmente j\u00e1 n\u00e3o o queira comprar devido \u00e0s despesas que isso implica. Podia querer um helic\u00f3ptero quando ainda era crian\u00e7a porque n\u00e3o sabia que custos isso representaria. Hoje, posso n\u00e3o ter um mas continuar a viajar as vezes que desejar.<\/p>\n<p>Posso dizer que sou uma pessoa muito persistente. Sempre batalhei para atingir os meus objectivos. E em alguns momentos cheguei a discordar dos meus pais, porque eles queriam impedir-me de fazer algo que eu tanto queria. Quando tinha 18 ou 19 anos, queria ter uma moto de quatro rodas \u2013 uma pessoa que vive em Vilankulo quer ter esse tipo de coisas \u2013 mas os meus pais negavam por causa dos riscos que isso poderia trazer para a minha integridade f\u00edsica. Consegui porque falei com o meu tio para trazer de surpresa a moto. Outra coisa \u00e9 que desde os meus 14 anos queria ter era uma mota-de-\u00e1gua, mas s\u00f3 consegui t\u00ea-la em 2011. N\u00e3o tive antes pelo respeito aos meus pais que n\u00e3o queriam que eu tivesse. O meu pai n\u00e3o gosta de motas-de-\u00e1gua. Quando comprei, ele n\u00e3o gostou. Contive-me at\u00e9 um certo momento. Mas chega uma altura em que eu quero realizar os meus sonhos. E sempre utilizei a mota de forma respons\u00e1vel. E gra\u00e7as a Deus at\u00e9 hoje n\u00e3o aconteceu nada de grave.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>E na escola, era um bom aluno?<\/strong><\/p>\n<p>Era um bom aluno antes de ter muitas brincadeiras na cabe\u00e7a. Se calhar porque a dada altura deixei de gostar de estar na sala de aulas e ouvir o professor falar de um tema durante 45 minutos. Nunca faltei ao respeito aos meus professores, mas fui muito brincalh\u00e3o. Como qualquer outro jovem, queria fazer outras coisas para al\u00e9m de estudar. Talvez porque aos 16 anos comecei a dividir a escola com o trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Que trabalho fazia?<\/strong><\/p>\n<p>Comecei por vender discos copiados, algo que depois soube que \u00e9 ilegal, por isso deixei de o fazer. Comecei a fazer cart\u00f5es-de-visita, calend\u00e1rios, convites para casamentos. Fazia estes trabalhos com o computador que o meu pai ofereceu-me. Fiz todos os convites do casamento da minha irm\u00e3. Foram mais de 400 convites. E mais tarde, comecei a desmontar e montar computadores. Assim, aprendi a repar\u00e1-los. Nessa altura, ningu\u00e9m reparava computadores em Vilankulo. Passei a reparar computadores de institui\u00e7\u00f5es do Estado e algumas ONG\u2019s.<\/p>\n<p>Aos 17 ou 18 anos assinei o meu primeiro contrato de repara\u00e7\u00e3o de computadores com a Save the Children. Recebia 150 d\u00f3lares por m\u00eas. E foi assim que comecei a ter veia empresarial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E foi desta forma que come\u00e7a a desinteressar-se pelos estudos?<\/strong><\/p>\n<p>Eu estava na sala de aulas, mas j\u00e1 queria muito mais do que ouvir o professor a falar, as vezes, at\u00e9 de temas que eu j\u00e1 sabia. Geralmente, as pessoas concentram-se muito nos estudos, concluem a sua forma\u00e7\u00e3o aos 23 anos, mas metade da sua vida foi embora\u2026<\/p>\n<p>Aconselho as pessoas a estudarem, mas ao mesmo a procurarem o sustento muito cedo, pelo menos aos 15 ou 16 anos as pessoas devem batalhar por uma vida independente. Se quer ser m\u00e9dico, comece a visitar hospitais, participar no atendimento aos pacientes, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual era o seu sonho de inf\u00e2ncia?<\/strong><\/p>\n<p>Queria ser arquitecto. Gostava muito de desenhar. Na sala de aulas, fazia desenhos. Provavelmente ainda v\u00e1 a tempo de fazer arquitectura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Entrevista concedida a Revista VIVA da TV Cabo em 2016.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Yassin Amuji, o primeiro empres\u00e1rio jovem a privatizar um clube desportivo em Mo\u00e7ambique diz ser um homem persistente e de grandes sonhos. 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